A cultura do shopinng center não é unânime!

Quando fui ao Rio de Janeiro, um cara bacana, do carro que alugamos, incluiu na rota de pontos a serem visitados, o shopping. E perguntei-lhe: – O que eu poderia gostar de ver em um lugar como esse, que tem em toda cidade grande?
Ele respondeu: – (…) “mas, o shopping ao qual vou te guiar é vertical”.

E eu, – “Puxa, tô criando uma espécie de fobia a esses aglomerados de prateleiras e “bancas” com artigos supérfluos. Não sou uma chata, hein! Mas, me leva pra conhecer uma outra banda do Rio de Janeiro, que não passe pelo shopping”.

E… o Rio de Janeiro me fez sentir como se há séculos a liberdade não soprasse os meus cabelos… e agora ali… batendo em minha cara. Ao contrário da minha última estada numa cidade grande, onde o povo se acotovelava na passagem do sinal, lá na Avenida Central parecia que o Tempo inimigo dos homens não acompanhava os seus passos. O cárcere da minha alma fincada num pelourinho da Terra Natal, rompeu-se em possibilidades de outras vidas fora de mim. A Lapa redesenhou meu rosto, pintou de luzes, com nuances dosadas de penumbra, os becos da minha existência. A música do “Carioca da Gema” desceu do morro e me fez olhar de peito aberto a guerra incessante da humanidade que não se mistura em preto e verde. Nenhuma bala atingiu o espírito das coisas escritas no bronze da estátua de Drumond. As geografias, as encostas, escudavam a sensação do perigo, e eu me derreti displicente diante da poesia dos poetas, que não cantam senão a verdade: “O Rio de Janeiro continua lindo”. Rendi-me ao gigante abraço do redentor. Muito embora ali mesmo eu tenha sido confundida com uma atriz estadunidense de uma premiada série de televisão – Lost. E impossibilitada de convencer um bando de estudantes com canetas na mão, que me cercavam ameaçadoramente (não sabia o que era aquilo), fui obrigada a quebrar minha sensação de bem estar dando autógrafos aleatoriamente.  Ufa!!!! Nem tudo pode ser perfeito.

O que quero dizer enfim, é que não importa o lugar, sempre podemos enxergar além daquilo que o mundo pós-moderno quer que enxerguemos, ou aquém.

… sai atrás de “focos” na zona rural de Pio IX, num dia de pouco progresso, mas jantei na casa de um cidadão que guardava numa caixa de papelão todo o seu gado, de quando era criança. Quem aqui já brincou de curral de ossinhos?

One thought on “A cultura do shopinng center não é unânime!

  1. Maravilhosa essa nossa Rosa, cada vez melhor, cada vez me emociona e me faz pensar, não dá pra olhar e ler apenas uma vez. Cada visita leio tudo de novo e de novo novas emoções!!!

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