Libélulas

Os primeiros animais com a capacidade de voar (era Paleozoica)

 Reino: Animalia

Filo: Arthropoda
Classe: Insecta
Ordem: Odonata
Habitat: áreas urbanas e rurais, jardins, margens de matas próximas à água.

No Brasil é conhecida pelos nomes: papa-fumo, helicóptero, cavalinho-de-judeu, cavalinho-do-diabo, donzelinha, jacina, jacinta, lava-bunda, lavadeira, odonata, macaquinho-de-bambá, pito, ziguezigue. E ainda ouvimos em Pio IX a chamarem de seca poço, além de taradinha de Deus segundo meu amigo Cineas Santos.

Completamente inofensivas para o ser humano, também exercem uma ação purificadora sobre o ambiente.  Predadora voraz em seu ambiente, a libélula é capaz de comer 14% de seu peso se alimentando apenas de outros insetos voadores – abelhas, moscas, besouros, vespas, outras libélulas menores, pernilongos e até o mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. Prestam serviço inclusive aos criadores de gado, vivendo perto dos bebedouros do gado, aguardam a chegada das manadas e caçam em voo as moscas e mosquitos que os incomodam e que são muitas vezes portadores de doenças.

Quem tiver dúvidas quanto à qualidade da água de um rio ou lago pode fazer o “teste da libélula”, que consiste na simples observação se há libélulas na área. Todo rio ou lago com águas limpas tem libélula. No entanto, a menor alteração físico-química da água ou do ar já será suficiente para expulsá-las, além de impedir que dos ovos saiam novas larvas. Deste modo, a presença do inseto funciona como um excelente bioindicador da qualidade do meio ambiente.

Os machos adultos são inconfundíveis por serem os únicos no nosso país a terem uma grande mancha escura em cada asa.

Os seus olhos conferem-lhes um campo visual de 360 graus, sendo o maior olho proporcional do reino animal.
 Algumas espécies têm ovos envoltos em material gelatinoso, formando uma fita.
O macho e a fêmea copulam enquanto estão voando. Ao ser fecundada a fêmea deposita seus ovos em uma planta na água, ou na falta desta deixa os ovos caírem na água. É comum vermos as libélulas encostando a “bunda” na água, por isso o apelido de lava-bunda.

Passam a maior parte do ciclo de vida como larvas, na água (4 a 5 anos). Na sua fase adulta devem ter pressa em procurar parceiros e acasalar, pois durarão apenas dias ou até um período máximo de 2 meses. Apenas 10% de sua vida corresponde a fase não larval.

Os machos seguram as fêmeas e a transferência de esperma ocorre pelo contato das genitálias, através de flexão do abdome da fêmea. Ocorre comportamento de corte, envolvendo estímulos táteis, químicos e visuais.

Graças ao fantástico aparelhamento biológico que possui, uma libélula consegue planar, o que é impossível para a maioria dos insetos alados. Enquanto uma abelha vibra suas asas 4 vezes por segundo e muitos mosquitos imprimem até 8 batidas, a libélula bate suas asas 50 vezes por segundo.
 Em média, elas se mantêm voando por 5 a 6 horas diariamente. O absoluto controle de vôo da “demoiselle” (senhorita, como a libélula é chamada pelos franceses), inspirou o brasileiro Alberto Santos-Dumont na criação de seu modelo mais bem sucedido: o Demoiselle.

As libélulas têm inúmeros predadores entre os quais podemos citar as aranhas, as rãs, os sapos e as aves. Na foto acima a vemos presa em teias de aranha.

As libélulas possuem seis pares de patas (fortes), com pontas afiadas, localizadas na extremidade próxima a cabeça, ligadas ao tórax.  Elas podem usar as pernas para ficar em um ramo ou uma folha, mas não são feitas para andar.
Elas são predadores insaciáveis de moscas, mosquitos, besouros, abelhas, vespas que apanham em vôo e, em alguns momentos, se alimentam da sua própria espécie, para tanto possuem um aparelho bucal do tipo mastigador. (foto: na pata, a presa).
Fotos acima – mastigando suas presas.

Donzelinhas ou libelinhas – Possuem dois pares de asas semelhantes, diferentes das libélulas, cuja as asas traseiras são mais amplas do que as asas anteriores. Quando pousam, mantém as asas juntas e paralelas com o corpo. Os olhos das libélulas ocupam uma grande parte da cabeça e quase se tocam, enquanto na donzelinha existe um espaço entre eles.

Sugestões de músicas:

Saio do trabalho, pego a bicicleta e pedalo até um brejo qualquer, onde posso sem pressa esquecer do tempo. Não sei o que me chama ao esvoaçar das libélulas, mas estou presa a uma rotina que perdura. Tantas vezes o pingo do meio dia me pegou ali, acocorada, mendigando uma pausa no voo, atolada na lama que se forma nos últimos córregos das últimas chuvas. Dialogo em voz alta com as criaturas, pedindo uma pose – “só uma por favor!” Ás vezes xingo, mando ir às favas, e agradeço enfim, ao vê-las sorrindo para minha lente.
O certo é que nenhum humano das minhas relações teve moleira resistente pra acompanhar um dia dessa trama fotográfica até o fim. Nesse mês de setembro, um surto de solidão me fez buscar companhia pra minha caça no meio do nada. O que me responderam?
– “Só um doido ou inocente arriscaria, numa época dessas, queimar os miolos nessa brincadeirinha em pleno sertão nordestino”.
– Hum! A criaturinha de seis anos seguiu iludida por minha narrativa sobre caverna do dragão, lobo mau, e floresta encantada. Eu precisava de uma vozinha qualquer que desse eco ao meu movimento no meio da mata seca. Me limitei ao meu vício (clic clic) e só na milésima vez consegui ouvir aquela criança debaixo do sol causticante (12:42h) dizer: – “agora eu não aguento mais!”.
– “Caramba, por que não vim sozinha!” Foi o eco que ricocheteou dentro de mim.
Porém confesso que também me sinto cansada, do sol, da falta de equipamento, e assim volta e meia, “dou um tempo”!
Pensei que só publicaria um post dessa espécie quando tivesse uma lente apropriada, uma macro que satisfizesse meu próprio desejo de maximizar os detalhes das libelinhas. Na falta de grana resolvi compartilhar assim mesmo algumas imagens.  Fico devendo melhores momentos.
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8 thoughts on “Libélulas

  1. Rosa, a falta de material é o que mais me cansa, me sinto assim também, as vezes dou um tempo. E o olhar das pessoas que passam onde a gente ta clicando… '' o q é q esse doido ta fazendo ai??'' Eu sinto q eles pensam assim. Mesmo sem a lente q vc tanto sonha, as fotos como sempre ficaram ótimas.

    Aplausos !!!!!!!!!!!!!!!!!!
    Abraço!

  2. Muito interessante o seu trabalho. A sensibilidade humana aliada à tecnologia produzem coisas fascinantes. Parabéns por tão rico trabalho e sensível olhar!

    Edmerson dos Santos Reis
    Professor UNEB-Juazeiro
    Rede de Educação do Semiárido Brasileiro – RESAB

  3. És um ser humano espetacular com uma sensibilidade dignificante.Adorei o seu trabalho,é maravilhoso, as fotos estão divinas e o informativo melhor ainda.Parabéns, a natureza agradece este tipo de manifestação.

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