Alternativas de renda em Pau Ferro

– TRANÇADOS EM FIBRAS VEGETAIS DE CAROÁ  – ARTE SECULAR.

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 Dona Doca

VEREDA ADENTRO

– uma dessas histórias de amor;

Retrato de uma das formas inteligentes de sobrevivência do povo do semiárido.

Quando comecei a indagar o pessoal nascido em Pio IX, sobre suas formas de sobrevivência – da década de 20 a década de 50 – encontrei de um extremo ao outro do município uma atividade comum, que auxiliava na renda familiar. E passei a seguir essas marcas. Foi aí que na curva dessa vereda avistei um ‘Sobrado’, e depois do Sobrado o ‘Pau-ferro’.
No Pau-ferro o povo não fala, canta! Dá a impressão de que saímos de território piononense, pela estranheza linguística do lugar, que fica há 20 km da cidade.
Com as lentes fotográficas fazendo esse intermédio passei a dialogar com esse universo. E pude observar que, por todos os cantos e recantos que eu passava, sempre encontrava alguém usando um patuá de caroá – seja um pescador, seja um caçador, e principalmente o homem da roça. Lembrei que na despensa do meu pai tem um pendurado. Essa era definitivamente uma expressão entrançada na vida dos habitantes dessas paragens.
Buscando descobrir onde ainda se fazia aquilo nos dias de hoje é que cheguei ao Pau Ferro; e atenta a fala cantada daquela gente descobri a importância dos trançados na história de sobrevivência do meu povo.

“- As trança era o pão da gente. Foi o que nos ajudou a botar
comida em casa. Quem não fazia passava precisão.”
(Raimunda Ana de Jesus Carvalho – Doca/ nascida em 1949)

Importância essa que se encontra amordaçada pelo preconceito, fruto da desvalorização do ofício. Nunca encontrei uma tranceira que não vibrasse de emoção ao falar da arte.  Seus filhos (filhas), no entanto expõem uma insatisfação (talvez não descabida) diante do assunto. Alguns deles desempregados, outros trabalhadores (as) da roça (às vezes em terras alheias). Uns poucos, funcionários da fábrica de cimento. Uma das filhas de Antônia Joana de Morais (Tuninha/64 anos) reclama a dureza dos espinhos do caroá que fere as mãos da sua mãe. Ninguém menciona as doenças crônicas pulmonares de caráter irreversível e progressivo que assolam os moradores daquela região, provocadas pelo amianto.
Um dia visitando a fábrica, assisti um funcionário (com salário em dia, é claro!) aparando os sacos de cimento que desciam por uma espécie de tobogã e transportando para dentro da carroceria do caminhão. O peso do saco tombava na cabeça do indivíduo e o cobria com uma nuvem cinza; senti náuseas ao assistir aquele veneno invadindo as narinas do cidadão. Eu me perguntava então, quais os ossos desse ofício que aliviam o peso dos tiradores de caroá? Não foi difícil de responder, a fábrica representa renda certa no final do mês!
“- Antigamente nós era obrigada a fazer para comprar o pão pra comer,
pois não tinha outro mei de vida. A primeira chinela que  eu comprei
pra mim foi com um jogo de surrão que vendi por dez tões.
Comprei uma roupa, um chinelo, e fui à pé passar o natal em Pio IX.
Lá ainda comprei um saco de coisas e vim com ele na cabeça.
Os pai num botava os fie na escola purque num pudia,
então butava nós pra aprender a fazer trança.”

Pois é, atualmente, em pleno século XXI, seria impossível sobreviver fazendo trança de caroá! Embora o que pareça mesmo impossível é dar um “delete” em uma arte que resiste a séculos, disseminada não apenas no imaginário do nosso povo, mas “plantada” na sua realidade cotidiana. O trançado de fibras de caroá ainda respira a sua importância – em focos isolados é verdade – mas bem vivo, resistindo bravamente.

 

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 Obs: Esse saco chamado bornó (embornal) ou patuá tem vida longa, não se desmancha com facilidade, e pode com carga pesada. Principal artigo vendido na atualidade por Doca (do Pau Ferro). Já os surrões (sacos de guardar feijão – abaixo) perderam definitivamente sua utilidade, substituídos por tubos de zinco, e por garrafas pet.
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surrões-de-guardar-feijão
Obs: Antigamente as crianças usavam os surrões nas suas brincadeiras de esconde-esconde.

FAZENDA ALECRIM – PI (Divisa do Piauí com o Ceará)

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Casa de Bárbara de Alencar

Considerada por historiadores como a Primeira Presidenta do Brasil, a heroína Bárbara Pereira de Alencar, morreu aos 72 anos (depois de várias peregrinações em fuga da perseguição política) na Fazenda Alecrim, no hoje município piauiense de Fronteiras, nessa dita região “das minas”. Foi sepultada no interior da pequena igreja de Nossa Senhora do Rosário, no distrito de Itaguá, a 10 quilômetros da sede de Campos Sales, Ceará (antigo Poço Pedras). http://osrascunhos.blogspot.com.br/2011/01/artigo-barbara-de-alencar-primeira.html

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