Um Olhar Muito Atento

Cineas SantosOtávio Paz, poeta e ensaísta mexicano, abre um poema bastante conhecido assim: “Me vejo no que vejo” e o termina com um verso definidor: “Sou a criatura do que vejo”. Não sei se a Rosa da Caatinga tomou conhecimento do poema “Blanco” que parece nortear o trabalho dela.

Mais que o olhar atento, a paciência e o equipamento adequado, indispensáveis a qualquer fotógrafo que se preze, Rosa tem um envolvimento, digamos assim, com o que vê. Ela não busca apenas o melhor ângulo, a melhor luz, o foco adequado. Quer ir um pouco além: quer dar a ver, quer buscar o nosso envolvimento com  o que retrata.

E assim, com ardente paciência, vai captando e distribuindo imagens que, às vezes, encantam e, com muita frequência, chocam. Rosa não quer manipular imagens; quer traduzir a verdade e, ao fazê-lo, provocar em nós o que só os humanos são capazes de experimentar: a fruição da emoção estética. Sem deixar de ser sempre Rosa.

                                                                    Cineas Santos

                                                                       professor

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